Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade (Segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec)
Livro Primeiro: As Causas Primárias Cap. III - Criação
V - Pluralidade dos Mundos (q. 55 a 58)
55- Todos os globos que circulam os espaços são habitados?
- Sim, e o homem terreno, está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Crêem que Deus criou o Universo somente para eles. “Deus povoou os mundos de seres vivos, e todos concorrem para o objetivo final da Providência. Acreditar que os seres vivos estejam limitados apenas ao ponto que habitamos no Universo, seria pôr em dúvida a sabedoria de Deus que nada fez de inútil e deve ter destinado esses mundos a um fim mais sério do que o alegrar os nossos olhos. Nada, aliás, nem na posição, no volume ou na constituição física da terra, pode razoavelmente levar-nos à suposição de que tenha o privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes”.
Tanto a resposta dos Espíritos como o comentário de Allan Kardec, falam da casa do Pai como o Universo, com diferentes moradas que circulam no espaço infinito e oferecem aos Espíritos, moradas, estágios apropriados ao seu adiantamento. Dos ensinamentos dados pelos Espíritos, os diversos mundos apresentam-se em condições muito diferentes uns dos outros, estando em relação com o grau de adiantamento ou inferioridade de seus habitantes. Podemos dizer que há mundos inferiores à Terra física e moralmente; outros estão no mesmo grau e outros ainda superiores em todos os aspectos. Cada mundo, oferecerá por essas características existências totalmente diferentes umas das outras, desde o império total das paixões e inferioridades até uma vida totalmente espiritual, naqueles mundos mais avançados onde a influência da matéria já diminuiu a ponto de praticamente não mais exercer-se. Nos mundos intermediários, há mistura do bem e do mal, predominância de um ou outro, segundo o grau de adiantamento. Não há, dos diferentes mundos, uma classificação absoluta, com detalhes específicos de como é ali a vida, os hábitos, etc. Pode-se, porém, em razão do seu estado e da sua destinação, baseado nas diferenças mais acentuadas, dividi-los, de modo geral, em:
• mundos primitivos, destinados estes às primeiras encarnações da alma humana. • mundos de expiação e de provas, caracterizado pela ação do mal, como dominante. • mundos regeneradores – ainda haverá neles, ação do mal, porém, o bem já é a força maior. As almas que ainda têm compromissos a desgastar, haurem novas forças, repousando das fadigas da luta. • mundos felizes nos quais o bem se sobrepõe totalmente ao mal. • mundos celestes ou divinos, nos quais os Espíritos, já totalmente libertos da matéria, convivem inteiramente com o bem. Está a Terra incluída na categoria de mundos de expiação e provas, explicando-se o porquê convive o homem com tantas mazelas, bem como, para fazer uma idéia dos outros mundos, partir do que já se conhece aqui. Desse modo, assemelhando-se a uma bendita escola, com classes de matérias variadas, o Espírito não se ligam indefinidamente a um mundo e nem cumprem nele todas as fases progressivas que devem percorrer para atingir a perfeição. Quando atingem, num mundo, o grau de adiantamento que o mesmo comporta, passam para mundos mais avançados e assim sucessivamente até o ponto em que, fruto do trabalho pessoal, se tornam Espíritos puros. Cada mundo, portanto, oferece elementos de progresso, proporcional ao pessoal adiantamento moral. Passar para um mundo mais adiantado será, sempre, para o Espírito, alegria e recompensa. Será terrível, e entendido como castigo prolongar sua estada num mundo infeliz ou ser relegado a um mundo inferior, quando obstinados no mal.
Leda Marques Bighetti Fevereiro / 2011
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