Reflexões da autora em quatro textos:
Neste
estudo estaremos totalmente opostos às posições anteriores. O naturalismo
filosófico afirma que o Homem é congenitamente bom.
Rousseau,
um dos expoentes desse pensamento abre o Livro I do clássico “Emilio” com a frase: “Tudo é certo em saindo das mãos do Autor
das coisas; tudo degenera nas mãos do homem”.
Com
isso, queria ele significar que o homem nasce bom e, se mais tarde apresenta
defeitos e maldade é por culpa da educação e da sociedade.
Em
outra parte expressou-se mais incisivamente:
“... com que simplicidade teria mostrado
que o homem é naturalmente bom e que são estas instituições somente que o
tornam mau”.
Dai
partiu a ideia do “bom selvagem”, feliz, virtuoso e autossuficiente:
“... não corrompamos o homem natural e
ele será virtuoso, sem coação e feliz, sem remorso: não há perversidade natural
no coração humano”.
Ainda
no “Emilio”:
”A educação primeira, deve, portanto,
ser puramente negativa. Ela consiste não
em ensinar a virtude ou a verdade, mas em preservar o coração do vício e
o Espírito do erro”.
Crítica
à luz da Doutrina Espírita:
Primeiro
é necessário esclarecer que Rousseau fundamentou sua concepção do “bom
selvagem” nos relatos, algumas vezes inexatos, chegados dos exploradores da
América sobre os nativos dessas terras.
Afirmava
então, que saídos das mãos do Criador eram bons pervertendo-se ao contato ou em
meios à civilização. Sendo assim, em princípio, sem contato com o meio, nada
poderia pervertê-lo.
Segundo
a Doutrina Espírita quanto às perfeições conquistadas não há recuos, sendo as
existências sempre progressivas. A ideia da corrupção pela educação e pela
sociedade de um estado congênito de perfeição, não encontra guarida na
Codificação.
Em
relação à bondade inata que Rousseau atribuía à criança, também não há respaldo
nos textos espíritas. Estes em várias situações afirmam que os Espíritos são
criados simples e ignorantes, mas, dotados de aptidões para progredirem em
virtude do livre arbítrio.
As
proporções de maldade e bondade do ser que nasce para a vida material são
relativas ao progresso moral que o Espírito tenha conquistado em vidas
anteriores.
“Em cada nova existência, o ponto de
partida para o Espírito, é o em que, na existência precedente ele ficou”. O L E. 218 a.
A
bondade da criança “... só pode ser o
resultado do progresso moral já adquirido, como as ideias inatas são o
resultado do progresso intelectual”. Q E III 120.
Interessante
e importante obter esses conhecimentos não só para identificação do quanto
ainda trazemos de vivências passadas, como também para entender o mito dos
“anjinhos”, crianças mortas “prematuramente” e identificadas como os anjos
católicos.
O
sociólogo Gilberto Freire em “Casa Grande e Senzala”, p.185/186, divisa a raiz
desse costume na catequese dos jesuítas, para, de certa forma, confortar os
indígenas pelo grande número de mortalidade infantil provocada pelo contato com
os brancos transmissores a eles de enfermidades fatais.
Era
a idealização da criança, do anjo morto, inocente e sem pecado chamado por
Nosso Senhor.
Concluindo:
As proporções de bondade e de maldade do ser que nasce para a vida material são
relativas ao progresso moral que o Espírito tenha conquistado em vidas
anteriores.
Fechando
a série:
“Em cada nova existência, o ponto de
partida, para o Espírito, é o em que, na existência precedente ele ficou e o
homem nasce bom ou mau, segundo seja ele a encarnação de um Espírito adiantado
ou atrasado”. O L.E 218 a / QE – III 130.
Leda Marques Bighetti – junho/2016 |