Quem é o
criminoso na sociedade?
É todo
aquele que infringe por ação ou omissão o código penal; é o que contraria a Lei
cometendo um crime. Por decorrência, torna-se réu, culpado, delinquente,
infrator, transgressor, facínora ...
Por
extensão, é o que comete ação socialmente reprovável.
Como
conceito, criminoso é o agente de um crime.
Interessante notar que para essas definições há duas vertentes: o
criminoso é pessoa que por livre-arbítrio optou por cometer o delito, sabendo
que podia e devia obedecer à Lei. Sabe que o mal causado é passível de punição
na forma proporcional à ação. O criminoso é entendido como pecador que optou
pelo mal embora devesse respeitar a Lei. São ideias constantes em Rosseau no
seu “Contrato Social”, p. 49.
Para os
positivistas (existência humana = valores completamente humanos), o infrator é
prisioneiro da sua própria patologia e isso seria um determinismo biológico ou
de processos alheios, que incorreria no determinismo social, considerando-se
nesses casos a noção de livre-arbítrio como ilusão subjetiva. Escravos de sua
carga hereditária, como tal é animal selvagem e perigoso.
Os
marxistas, apontam-nos como vítimas da sociedade capitalista.
Decorre
disso, a visão proporcional dos primeiros e a medida de segurança como
finalidade curativa por tempo indeterminado ou enquanto persistir a patologia.
Há outras
correntes do pensamento que o conceituam não como ser embrutecido, mas
inferior, incapaz de dirigir sua vida, devendo o Estado adotar postura
pedagógica e piedosa frente a ele. Enxerga-o como ser débil cujo ato pede
análises profundas dos elementos motivadores, compreensão do fato em si com
agravantes e atenuantes bem como o direcionamento da vontade.
Como a
Doutrina Espírita vê o criminoso?
Considera
que o livre-arbítrio dá liberdade para que cada um escreva sua pessoal história
e futuro, determinando caminho na existência como decorrência de seus
sentimentos, pensamentos e ações. A escolha de estradas melhores, piores, boas,
más, estará, em tese, subordinada às escolhas que faz. Segundo isso, terá
experiências e consequências diferentes.
Não
esquecer que, no dinamismo das experiências, todos estão inseridos nos planos
da progressão espiritual.
Nesse
sentido, transcende aos enfoques puramente civis, humanos. Leva a refletir que
o criminoso pode ser um Espírito inferior ainda em início da caminhada
evolutiva no plano terráqueo que escolhe a prática do mal, para ele, modo
natural de como resolve óbices, percalços, conduta que persistirá até que a
experiência das respostas aclarando a mente, leve-o a pensar que seria de seu
interesse agir diferente.
Esses
raciocínios justificam o crime e aliviam o criminoso?
De forma
alguma. O crime transgride não só as leis humanas como também as divinas. O
pensamento cristão não justifica absolvendo a ação, mas leva a que se reflita
sobre possibilidades, sem anátemas, e que assim como as criaturas bondosas, são
também filhos de Deus. Conhecem-No? Que experiência viveram em relação a Ele?
Qual objetivo vêm no viver? Imortalidade, reencarnação, ouviram falar?
A ideia é
tão abrangente que no caso de estando um malfeitor em perigo de vida – mesmo
que para salvá-lo se exponha a própria vida – deve-se salvá-lo ou deixá-lo
morrer?
Lamennais
reflete que o devotamento é cego; socorre-se um inimigo; deve-se socorrer o
inimigo da sociedade, numa palavra um malfeitor. Ao que o salvaria ...não é
preciso perguntar-vos agora se o faríeis ou não, mas em se apresentando a hora
...ide em seu socorro ...
O “Evangelho”
é incisivo: “orai por ele” ... “ele é vosso próximo como o melhor dentre os
homens; sua alma transviada e revoltada foi criada, como a vossa, para se
aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lodaçal e orai por ele”.
Leda Marques
Bighetti – março/2025 |