Deve-se orar?

     O artigo se aterá a questões comumente alegadas negando os efeitos da prece que poderiam ser resumidas em:

     - Deus estabeleceu leis eternas – nada, portanto, há que se lhe pedir ou agradecer;

     - A sorte dos Espíritos está traçada – não há como mudar o imutável das coisas;

     - Na Doutrina Espírita, prece tende a manter superstição e caráter beato...

     Reflita-se que, para grande maioria, prece só acontece no sentido de petição.

     Remontando ao passado, constata-se que do selvagem ao civilizado, de inúmeras formas, todos em algum momento, oraram ou oram, independentemente de seitas, crenças, nacionalidades e tempos.

     A eficácia e o meio de ação agem em campo energético, movimentam fluidos pela ação dos sentimentos, dos pensamentos dirigidos a fim determinado. Resultante dessa movimentação fluídica, há retorno que pode encorajar, fortalecer, consolar resposta coerente, muitas vezes, com o pedido feito.

     Ao orar, o homem se eleva, entra em comunhão com outros planos, identifica-se com o espiritual; por instantes, desmaterializa-se das coisas sensíveis.

     Nas reuniões espíritas, prece visa predispor ao recolhimento, seriedade, destacando Jesus como condição indispensável aos fins superiores que o trabalho se propõe.

      Isso não quer dizer formar um profissionalismo, um caráter beato, uma superstição ritualística, mas, mentes livres expressando, oferecendo energias em comunicação com os planos maiores. Sua ação se explica pelo modo como o pensamento se transmite, uma vez que encarnados ou desencarnados estão mergulhados no Fluido Universal e Cósmico, meio infinito que pode e é alterado, direcionado, acessado pela vontade.

     A energia expressa nesse teor, endereçada aos planos maiores, é captada por mentes espirituais onde quer que estejam, estabelecendo-se os intercâmbios.

     Essas reflexões não se propõem a materializar a prece, mas tornar sua mecânica inteligível em ação direta e efetiva.

     Em síntese, não há como voltar dos momentos da prece da mesma forma que se estava ao iniciá-la.

     O ideal seria que essa prática não se restringisse a momentos, mas que cada ser, buscasse através das simples atitudes do corriqueiro, agir da melhor forma possível, alegre, feliz, agradecido, esperançoso, altaneiro, nobre, para que as energias que dele fluíssem pudessem ser utilizadas pelos amigos espirituais para tantas necessidades, geralmente, muito, muito mais importantes que os pessoais.

Leda Marques Bighetti – março/2024

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2024/4/16 | 16:30:55

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