Sobre o Estado da Alma após a Morte -1

     O tema, o título, em nada poderia suscitar de curiosidade ao espírita, uma vez que é assunto bastante estudado, comentado, presente nas atividades das Casas Espíritas.

          Esta matéria, no entanto, se envolve em particular interesse. Constante na Revista Espírita, março, 1868, publica cartas escritas por Jean Gaspar Lavater em Zurique no ano de 1798, que as enviava a sua amiga imperatriz Maria da Rússia visando pintar o estado da alma após a morte. Elas são em número de seis e giram em torno das ideias espíritas e a possibilidade de que as relações materiais entre o mundo espiritual e material germinavam na Europa há mais de setenta anos. Lavater envia para a rainha a síntese do que recebera por inspiração de um amigo morto e assunto gira em torno das possíveis relações entre o mundo material e o espiritual.

          Começa ele: “Desejo pô-la a conhecer algumas das minhas ideias sobre o estado da alma após a morte. Limitar-me-ei a expor algumas ideias mais gerais”.

           Discorre sobre vasta descrição, chamando-nos atenção os pontos abaixo que procuraremos resumir:

          - Há diferença muito grande entre a maneira de sentir, pensar de uma alma separada de seu corpo material e o estado no qual se encontra durante sua união com este último;

          - Ligados a matéria, nossos sentidos e órgãos é que dão à alma percepção e entendimento;

           - Os sentidos físicos levam a ver a vida material sob aspecto que lhe possibilita perceber a realidade, enquanto para a alma separada do corpo, mesmo quando dele escapa pelo sono, os aspectos e entendimentos são totalmente diferentes.

          - Depois da morte “um corpo espiritual retirado do corpo material” dá uma percepção muito diversa das coisas. Para almas impuras tudo se apresenta num estado de perturbação. Aos mais desenvolvidos, segundo a natureza, variariam os graus de harmonia, perfeição e beleza.

          - A alma existe na Terra para “aperfeiçoar suas qualidades espirituais”, tornando-a pura, amante, vivaz e apta para as mais belas sensações, impressões, contemplações, ações e prazeres.

          - “Tudo quanto podemos dizer, basear-se-á no único axioma permanente e geral – “o homem colhe o que semeia” – e isso é aplicado a todos os casos, sem exceção de hipótese alguma. Esta é a Lei geral da Natureza, equivalente em todos os mundos e em todos os estados passíveis, tanto no mundo espiritual como no material”.  

     Prossegue, contando que outra Lei comum na dimensão espiritual, é que “o que se assemelha tende a se reunir”. Tudo o que é idêntico de atrai reciprocamente.

     - “Conforme tenhas semeado o bem em ti mesmo, nos outros ou fora de ti, pertencerás à sociedade dos que como tu, semearam o bem em si mesmos e fora de si; gozarás da amizade daqueles aos quais te terás assemelhado em sua maneira de semear o bem.

    -  A alma, separada do corpo, se apresenta tal qual é. Na realidade, experimentará tendência irresistível para se dirigir às almas a que se assemelha e se afasta das que não se identifica.

     - Seu próprio peso interior, obedecendo à Lei da Gravidade, a atrairá, a abismos sem fundo ou lançar-se-á aos ares buscando regiões luminosas.

    -  Por seu estado interior, portanto, é que alma dá a si um peso que lhe é próprio e que a impele para frente ou para trás.

    -  O caráter moral ou religioso inspira tendências particulares. O bem eleva para os bons; a necessidade que sente do bem, atrai para eles. O mal, no mesmo sentido, é impelido para os maus em queda precipitada e incontrolável, nada sendo capaz de deter”.

    Após saudações de apreço, conclui essa primeira carta com a frase:

     - “É bastante por essa vez”!

      Questiona-se: qual o sentido dessa transcrição se a realidade comentada, é perfeitamente conhecida pelos espíritas?

     A carta data de 1798, portanto cinquenta e nove anos antes da Codificação.

Leda Marques Bighetti – Abril/2021

 

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2022/1/18 | 14:00:16

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