Igualdade 1/3

     Em todas as sociedades humanas, antigas e modernas, existiram classes sociais.

     Na Antiguidade, a vitória de um povo sobre outro decidia quem permaneceria livre dominando e quem se tornaria escravo, servindo.

     Também a condição sucessória de nascimento, a posição econômica, determinavam o “status” político e social.

     Na Idade Média, além do nascimento, vai se somar a investidura eclesiástica que possibilitava escalada social e independência do nascimento.

     Surgirão as corporações, isto é, os ofícios, a habilidade artesanal, oficinas, ferramenteiros, mestres, aprendizes, enfim, diversifica-se o quadro social que se amplia em várias tendências que se mesclam, imperando apesar de tudo, o poderio do dinheiro.

     Em meio a essa diversidade, encontramos em “O Livro dos Espíritos” na questão oitocentos e onze algo interessante:

     “A igualdade absoluta das riquezas é possível e existiu alguma vez?”

    “- Não, não é possível. A diversidade das faculdades e dos caracteres se opõe a isso.”

     O Evangelho no capítulo XVI, 8 continua:

     “Por que todos os homens não são igualmente ricos?”

     “Não o são por uma razão muito simples: é que eles não são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem moderados e previdentes para conservar.  Aliás, é um ponto matematicamente demonstrado que a fortuna, igualmente repartida, daria a cada qual uma parte mínima e insuficiente; que, supondo-se essa repartição feita, o equilíbrio estaria rompido em pouco tempo pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível, e durável, cada um tendo apenas do que viver, isso seria o aniquilamento  de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem estar da Humanidade; que, supondo-se que ela desse a cada um o necessário, não haveria mais o aguilhão que  compele às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é porque daí ela se derrama em quantidade suficiente segundo as necessidades.” (Destaques mantidos).

     Nota-se que os textos ressaltam não só a riqueza como diversificadora das posições sociais, mas, também as características íntimas, determinando o lugar a ser ocupado como dinamizador ou não dos meios de produção. Fala da utopia de querer inverter a ordem social gerada no seu extremo, pelo egoísmo. Quanto às aptidões, lembrar que existindo as negativas, decisões, arbítrios, atitudes distanciadas do altruísmo, poderão influir de modo caótico na estrutura social.

     Os raciocínios caminham no sentido de destacar que, caso houvesse esse entender da responsabilidade pessoal, seja qual for o lugar que se ocupe, exatamente pelas aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer, uma vez que existindo equilíbrio em tudo, o homem não o perturbaria e praticaria, pelo entendimento, a lei de justiça.

Leda Marques Bighetti – Agosto/2018

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2024/4/16 | 17:43:13

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