Igualdade 2/3

     No texto estudamos as determinantes do existir das classes sociais, a desigualdade delas, o fator posse, dinheiro como forte divisor.

      A esse respeito “Obras Póstumas” na página duzentos e quarenta grafa:

     “Os fortes com os bens que possuíam transmitiram muito naturalmente a seus filhos a autoridade de que desfrutavam; e os fracos, nada ousando dizer, se habituaram pouco a pouco a ter esses filhos por herdeiros dos direitos que os pais haviam conquistado e a considerá-los seus superiores”.

     Assinala aí que a posse dos bens e a carência deles como determinante da divisão da sociedade. A classe possuidora agrega o poder do mando enquanto a outra é constrangida a obedecer, realidade que indica posições diferenciadas e hierarquizadas.

     O mesmo texto consultado continua:

     “Se a classe dominante houvesse podido manter a classe inferior sem se ocupar de coisa alguma, tê-la-ia governado facilmente durante ainda longo tempo; mas, a segunda classe obrigada a trabalhar para viver, e trabalhar tanto mais quanto mais premida se achava, resultou que a necessidade de encontrar incessantemente novos recursos, de procurar novos mercados para os produtos, lhe desenvolveu a inteligência e fez com que as próprias causas, de que os da classe superior se serviam para trazê-la sujeita, a esclarecessem. Não se patenteia aí o dedo da Providência? ”

     Sem dúvida, essa diferenciação das duas classes, refletiu-se e reflete-se em conflitos entre ao que querem reter e os que querem tomar.

     O Evangelho no seu capítulo XVI, 13 reconhece a importância das grandes fortunas pelos trabalhos de todos os gêneros que podem fazer executar, os trabalhos que pode oferecer, desenvolve a inteligência, a dignidade do homem. Recorda ainda que a fortuna concentrada em uma só mão deve ser “...como fonte de água viva que derrama fecundidade e bem-estar em torno dela”.

     Chega-se à conclusão de que a ocupação de posições diferenciadas, por efeito mesmo de necessidades, continuará a existir, causando a desigualdade social.

     Essa realidade, entretanto, poderia caminhar em equilíbrio desde que a classe dominante não usasse o poder para oprimir e sim como meio dinamizador das variáveis de crescimento e libertação.

Leda Marques Bighetti – Setembro/2018

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2018/12/11 | 11:01:46

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