No Santuário Interior
Meu Senhor , Pai de Bondade , 
De luz e de amor sem fim, 
Não me abandones a treva 
Que trago dentro de mim .
Não me deixes repousar 
No leito em flor da ilusão , 
Dá-me a benção luminosa 
Da tua repreensão .

De Espírito encarcerado 
Nos débitos que inventei , 
Tenho sede do equilíbrio 
Que nasce da tua lei .

Controla-me a aspiração 
De ganhar e possuir , 
Sou teimoso e invigilante , 
Ensina-me a discernir .

Entrecruzam-se , em meu peito , 
Divergências , dissensões ... 
Não me relegues ao jugo 
De minhas imperfeições .

A chaga alheia , senhor , 
Sei curar , lenir ou ver 
Mas sou tardo de visão 
Na esfera de meu dever .

Sou ágil no bom conselho 
Ao coração sofredor ; 
Todavia , surdo e cego 
Nas dias de minha dor .

Nas orações , quase sempre , 
Sou copia dos fariseus , 
Sentindo-me presunçoso , 
Dileto entre os filhos teus .

Não escutes , Pai Bondoso , 
Os rogos e brados mil 
Da ignorância que te trago , 
Vaidosa , barulhenta , hostil ...

Não satisfaças , no mundo , 
O orgulho atrevido e vão 
Que me faz triste e abatido 
Nos tempos de provação .

Põe freios duros e fortes 
Ao meu serviço verbal , 
Muita boca leviana 
Tem dado guarida ao mal .

Meus sentidos , enganados , 
Perturbam-me , muita vez . 
As emoções desvairadas , 
Por compaixão , não me dês !

Que a tua vontade , enfim , 
Pronta a prever e prover , 
Seja em tudo e em toda a vida 
A minha razão de ser .

Meu senhor , Pai de Bondade , 
Da luz e de amor sem fim , 
Não em abandones à treva 
Que trago dentro de mim .
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2018/9/21 | 04:43:11

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