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Assistencial - Grupo de Gestantes     |  01/01/2002
AUDIÇÃO EM CRIANÇAS
 Audição em crianças

"...A surdez é o maior dos infortúnios , a perda do mais vital dos estímulos: o som da voz, que nos traz a linguagem, desencadeia-nos os pensamentos e nos mantém na companhia intelectual dos homens."


Helen Keller (1880-1968) 

 

1. Audição

A audição é o sentido pelo qual se percebe o som, permitindo assim que o ser humano desenvolva a comunicação. 
O ouvido humano esta capacitado para captar sons que variam entre 20 e 20.000 Hz.

2. Audição e Linguagem

"A prevenção de perda auditiva na criança é uma forma de proteger e impedir que ela sofra os efeitos funestos provocados pela falta de estimulação auditiva sobre a função da linguagem" (Russo & Santos,1994) 
A linguagem é um dos aspectos importantes do desenvolvimento da criança e sua aquisição mantém íntima relação com múltiplos fatores, entre os quais destacam-se o biológico, o afetivo e o social. Da adequada condição desses fatores e de sua interação estabelecer-se-á o processo deste complexo aprendizado que terá seus resultados rigorosamente individuais.
Ao iniciar o processo de aprendizagem da linguagem, o organismo da criança inicialmente encontra-se imaturo, mas com a estimulação ambiental gradualmente poderá entrar em contato captando e desenvolvendo funções necessárias à evolução da linguagem. As vias sensoriais mais desenvolvidas precocemente são as vias proprioceptivas(relativo a si próprio), por esta razão os sons realizados pelo bebê são rudimentares e reflexos. Lentamente a interferência auditiva vai passar a auxiliar a criança e teremos assim a possibilidade do exercício para a aquisição do sistema fonológico específico da língua materna .
A função auditiva será essencial à aquisição e desenvolvimento da linguagem, meio de comunicação social, sendo igualmente indispensável para o controle da expressão verbal e das mensagens ao meio social. Ouvir os interlocutores, as demais pessoas e ouvir a si próprio resulta no condicionamento auditivo em relação aos sons da fala. Para a aquisição da linguagem a audição representa o sentido primordial porque dela decorrem os mecanismos cerebrais e neurofisiológicos da fala.
Desse modo é incontestável a estreita relação que existe entre a audição e o desenvolvimento da linguagem no ser humano. Portanto é de extrema importância o diagnóstico precoce da deficiência auditiva.

3.Deficiência Auditiva

Entende-se por deficiência tudo quanto significa : falho, carente, incompleto, imperfeito. 
Em Fonoaudiologia, "deficiência auditiva" significa toda alteração nos limiares(limites) auditivos do indivíduo. Essa alteração podera acompanhá-lo desde o nascimento ou apresentar-se no decorrer do desenvolvimento. 
Quando uma criança apresentar essa alteração terá dificuldade para adquirir a linguagem oral. Dependendo do grau da perda auditiva, a criança adquirirá uma linguagem com comunicação muito limitada, podendo não chegar à verbalização se a surdez for mais grave. 
Os problemas que aí surgem dificultarão a comunicação da criança na sociedade principalmente se não for compreendida e ajudada, o que pode acarretar problemas de ordem emocional. 
Como identificar no recem-nascido essa limitação? 
O bebê que nasce com perda auditiva começa a demonstrar que não percebe os sons desde muito cedo e que pode ser notada pela ausência de reação aos estímulos sonoros ambientais, identificados por exemplo, em situaçoes como: nos primeiros dias de vida, a criança não se assusta (reflexo de Moro) com um grito, uma buzina, uma campainha ou outros ruídos. Por volta dos 3 meses, não pisca os olhinhos (reflexo cócleo-palpebral) em resposta aos sons. Depois, não vira a cabeça (reflexo de orientação), procurando localizar a fonte sonora. 
Essa atenção e imprescindível uma vez que contribui para o retardo do diagnóstico é justamente esse desconhecer daqueles que convivem com o bebê e que interpretam seu balbucio como fala. Esse balbucio normal e interpretado como " fala" o que reforça a que pais ou aqueles que lidam com o bebê, a não suspeitar que não está ali havendo reação dos sons do ambiente, inclusive a própria voz materna. 
Essa suspeita geralmente só ocorrera no momento em que a criança começa a demonstrar dificuldades em relação à linguagem não conseguindo estabelecer ligação entre audição e fala, o que seria exteriorizado através de respostas ou questionamentos coerentes, lógicos. 
Essa situação tem a mesma conotação da surdez no adulto ? 
Na criança portadora de deficiência auditiva surge um problema audiológico diferente do adulto, porque na criança está em jogo a sua linguagem ameaçada pela surdez. As conseqüências são muito mais graves pois o problema ultrapassa o quadro clínico da audição para penetrar na esfera educacional. Nessas crianças, pode-se tornar escassa ou mesmo nula a projeção dos estímulos auditivos na área temporal do córtex cerebral, especialmente dos sinais representados pelos sons da fala, indispensáveis às ligações condicionadas verbais. As crianças portadoras de surdez grave e periférica dispõem dos mesmos órgãos fonadores e das mesmas possibilidades corticomotoras para a produção da fala que as crianças ouvintes, mas o mecanismo da fonação não se organiza por se achar ausente a contribuição sensorial representada pelas sensações acústicas do mundo exterior, dada a incapacidade funcional do analisador auditivo. Faltam às crianças surdas os sinais auditivos verbais que permitem à criança ouvinte a aquisição da linguagem no meio em que vive. Os seus primeiros exercícios vocálicos espontâneos acabam por se esgotar depressa por falta de estimulação da voz das pessoas e da sua própria voz.

4. Períodos possíveis de ocorrência

Existem vários momentos em que ocorre a perda auditiva pode ocorrer: antes, durante ou após o nascimento. 
As deficiências são denominadas congênitas quando ocorrem antes do nascimento. Como principais causas podemos citar :

• ototoxicose (medicação toxica ao ouvido),
• infecção por vírus ou bactérias ( principalmente a rubéola) ,
• eristroblastose fetal ( ocorre devido a incompatibilidade do fator Rh entre a mãe o feto) ,
• distúrbios metabólicos,
• radiação, prematuridade ,
• trauma do parto ,
• anóxia ( falta de oxigenação cerebral), etc.

Já as perdas auditivas que ocorrem durante ou após o nascimento são denominadas deficiências auditivas adquiridas. Como principais causas podemos destacar :

• distúrbios inflamatórios,
• meningite,
• parotidite (caxumba),
• ototoxicose (medicação toxica ao ouvido),
• lesões traumáticas ( principalmente traumatismos crânio-encefálicos e traumas acústicos),
• ruídos fortes, etc.

5. Prevenção e tratamento

 Algumas perdas auditivas podem e devem ser prevenidas através do pré-natal . Após o nascimento do bebê, mediante as consultas ao pediatra. Nos dois casos, as providências serão sempre encaminhadas pelo médico, na busca das estimulações que atenderão a cada caso, com os direcionamentos específicos que requeriam.

Samira M. Braga
Janeiro / 2002
 
Bibliografia:
• RUSSO, Iêda & SANTOS, Teresa. A prática da Audiologia Clínica. São Paulo, Cortez, 1993. 
• RUSSO, Iêda & SANTOS, Teresa. Audiologia Infantil. São Paulo, Cortez, 1994. 
• Semana Nacional de Prevenção a surdez- Panfleto informativo.
• Widex- Folheto sobre Desenvolvimento Auditivo.
 
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