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Assistencial - Grupo de Gestantes     |  03/09/2001
CONSIDERAÇÕES SOBRE A GRAVIDEZ
TEMA: Considerações sobre a gravidez

A gravidez é processo fisiológico natural, mas que envolve a mulher na condição de paciente. Como tal, acarreta uma carga emocional. Assim, quem trabalha nesse campo não só terá que compreender as mudanças que estão ocorrendo com este corpo e com as emoções, como também auxiliar no desenvolvimento de novas habilidades sociais, que ajudarão a criar um diálogo satisfatório com as pessoas que estão cuidando dela e do bebê. 
Muitas gestantes sentem-se emocionalmente vulneráveis, não conseguem evitar o choro em situações de tensão, apesar de ser a última coisa que desejariam fazer. Ela não estará absolutamente fora do normal se sentir ímpetos emocionais difíceis ou impossíveis de controlar; todavia isso poderá ser desvantajoso em situações como uma entrevista com o médico, quando este desejar perguntar-lhe algo. De modo algum, isso deve impedi-la de discutir suas dúvidas, desejos, medos, curiosidades com o profissional responsável. A gestante precisa saber o que está ocorrendo no seu campo emocional e pedir todas as informações que achar necessárias, para que fique tranqüila quanto à gravidez e parto, podendo ter nesse período o máximo de segurança que precisa para esperar o seu bebê.

DESAFIOS EMOCIONAIS DA GRAVIDEZ:

Muitas mães parecem e sentem-se radiantes. Uma mulher saudável, que está esperando um filho muito desejado, que tem uma relação segura com o pai da criança e que tem algum conhecimento sobre o parto e sobre o que ela pode fazer para ajudar a si mesma, freqüentemente se alegra com a gravidez. 
É possível porém, que pensamentos, ansiedades, temores dúvidas cruzem o campo mental da gestante à medida que a gravidez avança. Preocupações em relação à gravidez e o nascimento variarão de mulher para mulher. Não é apenas uma questão do que acontece fisiologicamente ou de como será tratada no hospital, mas depende também do tipo de pessoa que é, dos conhecimentos que tem, da segurança que terá ou não em momento tão importante. Essa ansiedade pode interferir na gestação e no nascimento, produzindo aceleração cardíaca, pressão alta, tensão muscular e outras conseqüências físicas, que dificultarão o parto. 
Visando entender, acalmar e trabalhar isso, procuramos em 1º lugar conversar sobre ele, não apenas sobre sua mecânica, mas sobre as sensações físicas e emocionais de cada fase, além do relaxamento, da respiração e da concentração que podem ajudá-la a trabalhar com o seu corpo e não contra ele. O simples processo de dividir seus medos alivia muitas mulheres, que começam a gostar da gravidez. Um bom curso pré-natal, no qual as discussões sejam estimuladas, no qual as gestantes possam falar livremente sobre suas apreensões, suas esperanças, freqüentemente é eficaz no desenvolvimento da autoconfiança. Ajuda a encarar o trabalho de parto como o coroamento de uma experiência que traz alegria e satisfação; não como uma provação à qual tem que se submeter.

PREOCUPAÇÕES COM O NASCIMENTO:

- Sofrimento: "Será que vou suportar o sofrimento ? Saber o que é trabalho de parto, como funcionam as contrações e como elas se manifestam nos diferentes estágios do trabalho de parto é a maneira mais efetiva de enfrentar essa apreensão.

- Descontrole: Durante uma vida inteira, fomos ensinados a controlar e não educar processos físicos, nosso próprio comportamento.Está para acontecer o nascimento , situação que envolverá o corpo todo sobre o qual há o mínimo de controle no desencadear fisiológico. Daí a necessidade de conhecer para colaborar.

- Fracasso: O nascimento envolve trabalho da mente e do corpo de maneira completamente absorvente. Não há fracasso ou sucesso no trabalho de parto. A gestante não pode se menosprezar, abater-se ou ser reprovada, mas necessita ser estimulada para a participação e desempenho saudável.

- Medo do hospital: Hospital, geralmente é associado a doenças. A tendência é vê-los como meio hostil, pouco amigável, impessoal.Em tal situação, a ansiedade é realista. Se puder, peça para conhecer o hospital,a sala de parto e até ter alguém conhecido que acompanhe na hora de internação. Médicos sabem dessa realidade e também ajudarão nesse ponto.

- Perda de encanto: Algumas mulheres se preocupam quanto à diminuição de seu encanto em função da gestação. Amedrontam-se diante da idéia da deformação de sua silhueta, que sua vagina torne-se flácida, gerando por isso dificuldades ao relacionamento sexual com seu parceiro.

* PREOCUPAÇÕES COM SEU BEBÊ:

Quase toda mulher se pergunta, em algum momento da gravidez , se seu bebê será normal. Provavelmente é este, entre todos, o mais persistente e incômodo receio e a única forma de neutralizá-lo é desenvolver autoconfiança. Quem se dispõe a receber filhos, estuda nesse encontros na casa espírita, o valor de receber este Espírito que chega independente de sua forma física "normal"ou não. Nesse aspecto a educação para o parto pode ser de grande auxílio, incentivando-a a confiar no seu corpo e em sua própria capacidade de dar à luz mais do que de depender de outros que executem a tarefa de fazer nascer o bebê. No entendimento espírita, é um Espírito que retorna com necessidades várias, que podem incluir ou exteriorizar-se em corpo com limitações. Nesse entender, ser mãe ou pai, significa missão, que esses pais aceitaram, visando ajudar esse Espírito que retorna.

* PREOCUPAÇÕES COM O FUTURO:

- Solidão: É comum em mulheres que param de trabalhar durante a gravidez ou na licença maternidade, surgir a solidão, pelo afastamento do contato diário com colegas. Em casa, inicialmente, sente-se deliciadas, logo porém, aborrecem-se e deprimem-se. Por isso, é interessante que planeje uma atividade na qual tenha contatos sociais, aprenda algo novo envolva-se com a maternidade(planejar, aprender, confeccionar, tecer o enxoval do bebê, viver intensamente esse período tão especial, crescer com ele).Visitar lugares interessantes, convidar pessoas para irem até a casa são outras sugestões.

- Mudanças: "Receio que as coisas não voltem a ser como antes". Medo de mudar o ritmo da vida, de não conseguir ver-se como individualidade sentindo-se presa ao lar e ao bebê. A mudança haverá, é inevitável. Pode sim preocupar a gestante de diversas formas: tensões com a perspectiva de que a relação como marido se deteriore; de que não tenha instintos maternais e, por conseqüência, não venha a ser boa mãe;possível perda do emprego, de dinheiro, do senso de liberdade podem levar à angústias. Some-se questionamentos tipo: se vai conseguir ficar em casa o dia todo com um bebê chorão; se esquecerá ou será esquecida pelas pessoas interessantes que conheceu e com as quais convivia diariamente em seu trabalho.

Essas aflições são próprias. Mudanças ocorrerão, mas não podem caminhar ou ser mantidas nesse campo. A maioria das gestantes têm consciência sobre o parto, sobre o bebê e de como vão se sair após o nascimento. O planejamento feito a dois na opção do melhor para a família trará e manterá o equilíbrio nos passos futuros. O pós-parto pode vir como um violento choque ou tranqüilo, feliz num tempo dedicado ao bebê. Daí ser a preocupação com o planejamento da vida após a chegada do bebê, um bom sinal indicador que sua psique trabalha no sentido de prepará-la, não para o parto, mas para a maternidade. 
Muitas angústias durante a gravidez, tanto para o marido como para a mulher, acabam por oferecer subsídios para que o casal enfrente os desafios que se apresentam , frente à aproximação do desconhecido: o nascimento do bebê.

G E S T A Ç Ã O
Toda criança ao nascer 
Vem envolta em muita luz 
Pra que seus pais a eduquem 
No doce amor de Jesus
Encaminhemo-la à escola 
Para o Saber aprimorar 
Mas o amor, com certeza 
Será sempre ensinado 
No doce aconchego do Lar

Por isso mãezinha, reflita 
No Tesouro que trazes no ventre 
É benção que Deus lhe concede 
Pra que o ame e oriente.

( Autor desconhecido )

Zenaide N. Maciel 
Setembro / 2001
 
Bibliografia:
Jovem mãe - gravidez - edição organizada por Abril Cultural S/A Obra original: Pregnancy and Childbirth
 
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