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Estudo Evangélico     |  02/08/2004
SALVAR-SE
"Palavra fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...¨ - Paulo. (I Timóteo, 1:15.)

Esta epístola à Timóteo foi escrita na Macedônia; é a primeira das chamadas Pastorais - duas a Timóteo e uma a Tito - porque se destinam a pastores de almas. Nela o apóstolo orienta Timóteo sobre suas obrigações.
          
Falando da própria conversão e da eficácia do Evangelho em sua vida, lembra do objetivo da vinda de Jesus ao Planeta: "Palavra fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...¨ - Paulo. (I Timóteo, 1:15.)

A afirmativa apostólica merece cuidadosa ponderação uma vez que, a inferioridade humana, de modo geral, só interpreta a palavra ¨salvação¨ por benefício, por vantagem imediata.
          Assim como no versículo em estudo, outros trechos do Velho e do Novo Testamento afirmam que Jesus veio ao mundo a fim de imolar-se pelos nossos pecados.

● Porque as iniqüidades deles levará sobre si. (Isaias, 53:11)
● Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras. (I Cor. 15:3)
● O qual se deu a si mesmo por nosso pecados para nos livrar do presente século mau. (Gálatas, 1:4)
● Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados. (Hebreus, 1:3)
● Assim também Cristo oferecendo-se uma vez para tirar o pecado de muitos (Hebreus, 9:28
● Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (João, 1:29)

          A interpretação apressada e superficial dessas assertivas tem conduzido a muitos equívocos, o que levou P. A.Godoy refletir que: ¨Caso tivesse Jesus sido investido da prerrogativa de salvar os homens de seus pecados, duas situações teriam ocorrido: a humanidade teria ficado livre de todos os males, uma vez que a maior parte deles é herança do pecado e as religiões não poderiam falar mais em pecado original, uma vez que o Cristo teria removido dos ombros dos ombros dos homens esse tremendo fardo (...)¨.
          Corroborando com esses raciocínios, Hermínio C. Miranda questiona, referindo-se em especial aos textos do apóstolo Paulo, que se assim fosse porque ele insiste na prática das boas obras, no procedimento correto, na caridade, no amor ao próximo? ¨Se Cristo nos salvou para sempre com sua dor, nada disso faz sentido e o que seria simplesmente inaceitável, primeiro porque o inocente não é destinado a assumir a responsabilidade pela falta alheia, lavando-lhe a mancha do erro. Onde ficaria o preceito de que a cada um (é dado) segundo suas obras? Que mérito ou necessidade teriam as obras ou a fé se estivéssemos já resgatado pelo sofrimento do Cristo? E que sentido teria o próprio pecado, como falta pessoal, se alguém acaba resgatando-o por nós?¨.
         
 Pondera Emmanuel que ¨após a passagem do Mestre no mundo, a fisionomia íntima dos homens, (...) era a mesma do tempo que lhe antecedera (...)¨:

● os romanos mantinham-se na conquista do poder;
● os judeus permaneciam algemados a racismo infeliz;
● os egípcios desciam à decadência;
● os gregos demoravam-se sorridentes e impassíveis, em sua filosofia recamada de dúvidas e prazeres;
● os senhores continuavam senhores, os escravos prosseguiam escravos...
          
¨Todavia o espírito humano sofrera profundas alterações¨.
         
 As palavras e os exemplos do Mestre ¨acordavam para a verdadeira fraternidade, e a redenção, (...) começava a clarear os obscuros caminhos da Terra, renovando o semblante moral dos povos...¨
          
¨Jesus Cristo não veio como Salvador¨, para tomar sobre si os pecados da Humanidade. Ele veio na condição de Redentor da Humanidade. Veio ensinar o caminho da libertação espiritual, pelo conhecimento da verdade, no esforço pessoal de melhoria íntima, na vivência dos preceitos evangélicos.
          
Isto não se realiza de forma miraculosa mas gradativamente no curso eterno da vida, ou seja, ¨Deus nos concede todos os recursos para realizarmos em nós o trabalho da redenção espiritual que acabou ficando com o rótulo inadequado de salvação; não, porém, realizando-a por nós e sim conosco. Possibilidades e potencialidades são colocadas a nossa disposição, mas o trabalho é pessoal, intransferível¨.
          
Jesus trouxe-nos a Verdade, ensinamentos que cabe a cada um dinamizar, ¨fazer a sua parte, entrar na posse dessa verdade, dessa luz que ilumina a mente, consolida o caráter e aperfeiçoa os sentimentos¨. Cada um há que agir, lutar, realizar, sem o que a redenção não acontece. ¨Ninguém tem poder para salvar pecadores de forma indiscriminada¨. Estes devem resgatar suas infrações às leis divinas através do conhecimento da verdade, da iluminação íntima, vivendo os ensinamentos evangélicos.
          
Eis porque Emmanuel, no texto em estudo, usa o termo salvar-se reconhecendo que ¨salvar não significa arrebatar os filhos de Deus à lama da Terra para que fulgure, de imediato, entre os anjos do Céu¨.
          
Salvar-se é educar-se. Não é o batismo, a filiação a qualquer escola religiosa, a observância de rituais e práticas exteriores que redimem o Espírito mas, ¨o trabalho, longo e porfiado, de auto-educação¨nas vidas físicas e fora delas.
          
¨A sentença de Jesus: a cada um será dado segundo suas obras, (...), reflete a extensão do amor que Deus dispensa a todos (...), anulando qualquer idéia de que um Espírito possa elevar-se aos paramos sublimados da Espiritualidade, por caminhos dúbios, sem o esforço em favor do aprimoramento próprio¨.

Iracema Linhares Giorgini 
Agosto / 2004
 
Bibliografia:
Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Salvar-se". Ditado pelo Espírito Emmanuel. 17a ed. Uberaba - MG - CEC . 1992. Godoy, Paulo Alves. "Casos Controvertidos do Evangelho: Redenção ou Salvação - Pela Graça ou Pelas Obras?¨ SP - FEESP . 1993. Godoy, Paulo Alves. "Crônicas Evangélicas: Salvador ou Redentor?". 3a ed. São Paulo - SP - FEESP. 1990. Miranda, Hermínio Correa. ¨Cristianismo: A Mensagem Esquecida: Salvação¨. Matão - SP - Casa Editora O Clarim. 1988.
 
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