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O Evangelho Segundo o Espiritismo  |  Honra teu Pai e tua Mãe   |  Capitulo XIV   |  01/10/2012
A INGRATIDÃO DOS FILHOS E OS LAÇOS DE FAMILIA - PARTE II
Terminamos o estudo anterior, com a apelação de Santo Agostinho à missão educativa dos pais em relação a todos os filhos, particularizando os filhos mais difíceis, que vêm para perdoar as dívidas do passado e serem perdoados, para amar e serem amados, transformando relacionamentos antipáticos em simpáticos, desagradáveis em agradáveis, de ódio em amor.

Desde cedo, a criança expressa seu interior, suas tendências boas ou más, que fazem parte da sua individualidade espiritual, qualificações desenvolvidas por ela em existências anteriores.

Dessa compreensão da criança, que não é uma alma nova, recém-criada por Deus ou um ser feito pelos pais, que lhes dão somente o corpo físico, decorre a grande missão dos pais em relação a esses Espíritos que vêem para aperfeiçoar-se, substituindo as más inclinações pelas boas, os maus hábitos por outros mais saudáveis, iniciar e continuar o desenvolvimento de potencialidades divinas, que trazem em si, desde a sua criação por Deus.

“A debilidade dos primeiros anos os torna flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência e daqueles que devem fazê-los progredir. É então, que se pode reformar o seu caráter e reprimir as más tendências. Esse é o dever que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual terão de responder.” (*)

Atenção para o verbo empregado por Kardec : reformar, que significa formar novamente, corrigir, tornar melhor, mais aperfeiçoado, renovar.

Daí a necessidade da observação das reações infantis a pessoas, situações, acontecimentos, para conhecimento de quem é, do que já tem mais ou menos desenvolvido, das suas necessidades físicas e espirituais, para que ela receba, exatamente, os estímulos que irão, na satisfação dessas necessidades, direcioná-la para sentir, pensar e fazer o bem, tornado-se uma pessoa feliz, útil a si e aos outros, na medida das suas possibilidades.

O autor lembra que todos os males têm origem no egoísmo e no orgulho e que esses vícios se manifestam desde cedo, devendo pois, merecer os cuidados dos pais em não incentivá-los, combatendo-os, com amor, com histórias apropriadas, explicações acessíveis a elas, de acordo com a idade, e exemplos próprios de altruísmo e de humildade.

Conheci uma senhora, já desencarnada, que fora considerada a moça mais bonita de sua cidade. Casou-se com um advogado, de família tradicional e rica, tiveram uma filha. “Educou-a como uma rainha”, segundo a expressão de uma sua amiga, satisfazendo-lhe todas as vontades, exaltando-lhe o orgulho de pertencer a tal família.

Não foi uma pessoa que tivesse interesse em auxiliar os necessitados, nem mesmo os que lhe batiam à porta.

Viúva, entre os cinqüenta e sessenta nos, teve um derrame cerebral, que não afetou sua memória e lucidez. A filha, casada, com dois filhos, internou-a em uma boa casa para idosos, obteve uma procuração para gerir os bens, e seguiu sua vida.

Após alguns anos, essa senhora desencarnou na mesma casa de repouso, e só então, seus companheiros da casa conheceram seus netos e uns poucos haviam conhecido sua filha, nas raras vistas que lhe fizera, durante anos.

A amiga que me contou sua história antes de sua mudança à casa de repouso, assim o fez, indignada com a atitude da filha ingrata, que fora amada e educada pela mãe como uma rainha.

Penso, sem outros conhecimentos de sua vida, que seu grande erro foi, justamente, a maneira como educou sua filha, alimentando seu orgulho e seu egoísmo.

E os pais que tudo fizeram para o adiantamento moral dos filhos, mas não conseguiram êxito?

Esses “não têm o que lamentar e sua consciência pode estar tranqüila. Quanto à amargura muito natural que experimentam, pelo insucesso de seus esforços, Deus reserva-lhes uma grande, imensa consolação, seja pela certeza de que é apenas um atraso momentâneo, e que lhes será dado acabar em outra existência a obra então começada, e que um dia o filho ingrato os recompensará com o seu amor”.

Lembra o autor que Deus não dá provas superiores às forças de quem as pedem ou as recebem, permitindo apenas as que possam suportar e aprender com elas. Na justiça divina não existe o sofrimento pelo sofrimento, mas sim os efeitos desagradáveis ou dolorosos do mal que fizeram, para efeito de corrigenda das imperfeições que lhes deram origem. Se assim não são vistas ou suportadas é por falta de vontade, por orgulho e egoísmo, por julgarem-se vítimas inocentes.

Assim, as provações, as vicissitudes da vida são para serem vencidas, com a compreensão da perfeita justiça divina e não para determinarem ou estimularem reações de rebeldia, de revolta, de vingança, frutos do orgulho e do egoísmo.

Todos os que se revoltam com elas ao invés de, na compreensão de que são fatos naturais do viver na Terra, cumprimento de leis sábias e justas, e que todos as têm na medida da sua necessidade, tentarem vencê-las com esforço próprio e serenidade, estarão preparando dores e ranger de dentes para as próximas encarnações até o dia em que, cansados de sofrer e de causar sofrimentos, se arrependam e se voltem para Deus, assim como está na parábola do filho pródigo.

E ele destaca : “As grandes provas – escutai bem – são quase sempre o indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento de Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus. É um momento supremo, e é nele sobretudo que importa não falir pela murmuração, se não se quiser perder o fruto da prova e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus, que vos oferece a ocasião de vencer, para vos dar o prêmio da vitória...”

Destaca também que as provas mais difíceis são as que afetam o coração, são as dores morais, que, da mesma forma que as materiais ou físicas, podem ser vencidas com o conhecimento das causas do mal, que são quase sempre uma imperfeição a ser combatida e eliminada, com a certeza de que durarão na dependência do esforço dessa melhoria interna.

“O que há de mais consolador, de mais encorajador, do que esse pensamento de que depende de si mesma, de seus esforços, abreviar o sofrimento, destruindo em si as causas do mal?”

Todavia, esse raciocínio é mais facilmente entendido por aqueles que tudo analisam sob o ponto de vista da imortalidade do Espírito e das vidas sucessivas.

Porque, então “a grande justiça de Deus se revela aos seus olhos ...” dando-lhe a visão da trajetória evolutiva do Espírito, desde sua criação, no princípio espiritual até o ponto de chegada : ser perfeito e feliz.

Com essa concepção global, todas as vicissitudes, sofrimentos, se tornam simples arranhaduras, fáceis de serem suportados e superados. Os laços de família se fortalecem porque não mais se constituem em laços frágeis da matéria, que se rompem com a morte ou com os destinos diferentes de seus membros após a mesma, mas em laços permanentes do amor entre seus membros, desenvolvidos nas diversas existências.

Essas famílias espirituais, constituídas pela similitude de gostos, de interesses, de progresso moral e amor, buscam sempre reunir-se, na Terra como faziam no espaço, formando as famílias unidas e homogêneas que aqui existem.

E, como o amor deve sempre ser distribuído para os outros, Espíritos menos adiantados podem reencarnar - se entre elas para aprenderem mais e progredirem também. É verdade que causam perturbações, mas devem ser aceitos no cotidiano como foram aceitos antes do renascimento, compreendendo os familiares que, se eles ali estão, deles é a tarefa de amá-los e auxiliá-los na reforma interior.

(*) Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, questão nº 385, 7º parágrafo.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Outubro / 2012
 
Bibliografia:
KARDEC, Allan - “O Evangelho Segundo o Espiritismo” O CENTRO ESPÍRITA BATUIRA esclarece que permanece divulgando os estudos elaborados pela Sra Leda de Almeida Rezende Ebner após o seu desencarne, com a devida AUTORIZAÇÃO da família e por ter recebido a DOAÇÃO DE DIREITOS AUTORIAIS, conforme registros em livros de Atas das reuniões de diretoria deste Centro.'
 
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