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O Livro dos Médiuns  |  Segunda Parte Das Manifestações Espíritas   |  Capitulo XX - A Influência Moral dos Mediuns   |  02/01/2012
DISSERTAÇÃO DE UM ESPIRITO SOBRE A INFLUENCIA MORAL - ESTUDO 116 – QUESTÃO 230
Estudo 116 – Questão 230

             Na conclusão do capítulo XX, considerando a importância e atualidade das instruções espíritas, transcrevemos a dissertação do Espírito Erasto sobre a influência moral dos médiuns:

             “Já o dissemos: os médiuns, como médiuns, exercem influência secundária nas comunicações dos Espíritos. Sua tarefa é a de uma máquina elétrica de transmissão telegráfica entre dois lugares distantes da Terra. Assim, quando queremos ditar uma comunicação, agimos sobre o médium como o telegrafista sobre o aparelho. Quer dizer, da mesma maneira que o tique-taque do telégrafo vai traçando, a milhares de léguas, numa tira de papel, os sinais reprodutores do despacho, nós também nos comunicamos através das distâncias imensuráveis que separam o mundo visível do mundo invisível, o mundo imaterial do mundo encarnado, aquilo que desejamos vos ensinar por meio do aparelho mediúnico.

             Mas, assim também como as influências atmosféricas frequentemente atuam sobre as transmissões telegráficas e as perturbam, a influência moral do médium age algumas vezes sobre a transmissão dos nossos despachos de além-túmulo e o perturbam, por que somos obrigados a fazê-los atravessar um meio contrário. Entretanto, na maioria das vezes essa influência é anulada pela nossa energia e a nossa vontade, e nenhuma perturbação se verifica. Com efeito, os ditados de elevado alcance filosófico, as comunicações de moralidade perfeita são transmitidas às vezes por médiuns pouco apropriados a essa função superior, enquanto, de outro lado, comunicações pouco edificantes chegam às vezes por médiuns que se envergonham de lhes servir de condutores. 

             De maneira geral, pode-se afirmar que os Espíritos similares se atraem, e que raramente os Espíritos das plêiades elevadas se comunicam por mal condutores, quando podem dispor de bons aparelhos mediúnicos, de bons médiuns, numa palavra.

             Os médiuns levianos, pouco sérios, chamam, pois, os Espíritos da mesma natureza. É por isso que as suas comunicações se caracterizam pela banalidade, a frivolidade, as ideias truncadas e quase sempre muito heterodoxas, falando-se espiriticamente. Certamente eles podem dizer e dizem, às vezes, boas coisas, mas é precisamente nesse caso que é preciso submetê-las a um exame severo e escrupuloso. Porque, no meio das boas coisas, certos Espíritos hipócritas insinuam com habilidade e calculada perfídia fatos imaginados, asserções mentirosas, como fim de enganar os ouvintes de boa fé. Deve-se então eliminar sem piedade toda palavra e toda frase equívocas, conservando no ditado somente o que a lógica aprova ou o que a Doutrina já ensinou. As comunicações dessa natureza só são perigosas para os espíritas que agem isolados, os grupos recentes ou pouco esclarecidos, porque, nas reuniões de adeptos mais adiantadas e experientes, é inútil a gralha de se adornar com penas de pavão, pois será sempre impiedosamente descoberta.

             Não falarei dos médiuns que se comprazem em solicitar e receber comunicações obscenas. Deixá-los que se comprazam na sociedade dos Espíritos cínicos. Aliás, as comunicações dessa espécie exigem por si mesmas a solidão e o isolamento. Não poderiam acontecer, em qualquer circunstância, entre os membros de grupos filosóficos e sérios.

             Mas, onde a influência moral do médium se faz realmente sentir é quando este substitui pelas suas ideias pessoais aquelas que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir. É ainda quando ele tira, da sua própria imaginação, as teorias fantásticas que ele mesmo julga, de boa fé, resultar de uma comunicação intuitiva. Nesse caso, há mil possibilidades contra uma de que isso não passe de reflexo do Espírito do médium. Acontece mesmo este fato curioso: a mão do médium se movimenta, às vezes, quase mecanicamente, impulsionada por um Espírito secundário e zombeteiro.

             É essa a pedra de toque das imaginações ardentes. Porque, levados pelo ardor das suas próprias ideias, pelos artifícios dos seus conhecimentos literários, os médiuns desconhecem a modéstia do ditado de um Espírito sábio e desprezam a presa pela sombra, o substituem por uma paráfrase empolada. Contra esse temível escolho se chocam também as personalidades ambiciosas que, na falta de comunicações que os Espíritos bons lhes recusam, apresentam as suas próprias obras como sendo deles. Eis porque é necessário que os dirigentes de grupos sejam dotados de tato apurado e de rara sagacidade, para discernir as comunicações autênticas e ao mesmo tempo não ferir os que se deixam iludir.

             Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa.¹ Com efeito, sobre essa teoria podereis edificar todo um sistema que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento construído sobre a areia movediça. Entretanto, se rejeitais hoje certas verdades, porque não estão para vós clara e logicamente demonstradas, logo um fato chocante ou uma demonstração irrefutável virá vos afirmar a sua autenticidade.

             Lembrai-vos, entretanto, ó espíritas! de que nada é impossível para Deus e para os Espíritos bons, senão a injustiça e a iniquidade.

             O Espiritismo já está, hoje, bastante divulgado entre os homens, e já moralizou suficientemente os adeptos sinceros da sua doutrina, para que os Espíritos não se vejam mais obrigados a utilizar maus instrumentos, médiuns imperfeitos. Se agora, portanto, um médium, seja qual for, por sua conduta ou seus costumes, por seu orgulho, por sua falta de amor e de caridade, der um motivo legítimo de suspeição, rejeitai as suas comunicações, porque há uma serpente oculta na relva. Eis a minha conclusão sobre a influência moral dos médiuns.”– ERASTO.

             Em nota constante em O Livro dos Médiuns, aqui estudado, o Prof. Herculano Pires (tradutor) destaca a regra de ouro do Espiritismo, dada pelo Espírito Erasto, e informa ainda que essa regra espalhou-se como sendo do próprio Kardec e em forma diferente, ou seja: Mais vale rejeitar noventa e nove verdades do que aceitar uma mentira. Foi por esse motivo que ele, o tradutor, a grifou no texto e afirma que ela deve ser constantemente observada nos trabalhos e estudos espíritas. 

             Concluindo, então, os estudos do capítulo XX - INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS -, compreende-se o quanto é importante para o médium cultivar valores ético-morais que lhe permitam oferecer sintonia adequada às entidades superiores, que poderão utilizar-se dos recursos oferecidos, levando socorro e esclarecimento aos necessitados dos planos material e espiritual.

             A imperfeição moral, que se manifesta nos encarnados ou desencarnados, é indício do estágio inferior no qual transita o seu portador, o qual deve se esforçar por superá-la, trabalhando com empenho para libertar-se de suas amarras, e o estudo aprofundado de O Livro dos Médiuns é essencial para aquele médium que deseja ser instrumento confiável dos Bons Espíritos.

Tereza Cristina D'Alessandro 
Janeiro / 2012
 
Bibliografia:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo, FEESP. 1989 - Cap. XX, q. 230
 
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